
Tempo seco, tempo quente. Tempo de tudo o tempo todo e mais um pouco, à moda antiga. E como transformar meus vis poderes em coisa grande, relevante? Tudo vem de antes, vem de há tempos, vai só passando e aprimorando, uns saem com pequenos borrões, outros com perfeitos desastres. Um contexto que faz parte de um cenário anti-cultural, quase analfabeto. Eles não têm cores, letras, não sabem cantar, não sabem dançar. Disussão por coisas um tanto passageiras, na dormir, comer, assitir a novela das 8, coisas sagradas. Não há como escolher, bancar uma de mochileiro e fugir. Um eterno castigo do qual não se sabe onde está a placa que diz SAÍDA. Inútil, tantos poderes e uma parede invisível protegendo os homens maus. Eu já pedi flores, já brinquei de roda, já me escondi no escuro, já sorri disfarçado, já entrei na casa errada, já conheci Papai Noel, já tomei banho no quintal e nada disso me ajudou. Nada disso me levantou porque descobri que não nasci. Continuo morta.
*Foto: imagem do filme Prozac Nation (2001)
*Foto: imagem do filme Prozac Nation (2001)
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