quarta-feira, 25 de novembro de 2009

[sem] anos de solidão

Talvez a trajetória seja longa aos olhos de clandestinos; grades, espinhos e pedras para os aleijados, livre e sem impedimentos pra quem nunca soube o que é derrota.

Talvez os aniversários sejam glorificações ocultas e mistificadas, um ritual de reconhecimento - porque afinal comemoramos mesmo as rugas da sabedoria.

Talvez a terra continue a parir filhos viciados, mães trôpegas de embriaguez e pais que ojerizam a família, um amor-próprio ao cinismo e à vaidade.

Talvez há 10 anos eu tivesse menos tempo do que tenho agora e agradeço às poucas horas que dormi, a comida que não deu tempo digerir e as míseras visitas na casa de mamãe, só no domingo e olhe lá! Hoje só o que me sobra é tempo!

Talvez eu tenha perdido amores, tenha perdido dinheiro, tenha perdido oportunidades, mas perder é também reconhecer a vitória de alguém ou não-alguém.

Talvez haja coisas ruins ao redor de duas pessoas, quando na cópula de seus olhares existe apenas um querer a alguém infinitivamente... proteger, amar.

Talvez a minha memória esteja falha porque não me lembro de algumas singularidades da minha juventude esbelta e de óculos escuros, como a magreza desse mesmo meu corpo e a cor dos mesmos óculos escuros... (engraçado que das complexas eu lembro!)

Talvez eu tenha conhecido alguém e só agora percebi que não conheço, com tato e olfato múltiplos e lânguidos. Pode ser que eu só o tenha conhecido agora, 1 ano depois; pode ser que o tenha conhecido há tempos, sem anos depois. Uma comemoração de des-conhecidos e des-memoriados.

O que importa é que enquanto lá fora chove, troveja, faz sol, relampeja e assobia, aqui dentro faz um calorzinho com jazz e poucos pingos de chuva doce.
Parabéns pra você! É quando começa tudo outra vez...

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