Através da janela, naquela sexta-feira de solilóquio, eu enxergava em sépia. O vento cerrava as partes expostas, a música regava as partes introspectas. Foram momentos de lembranças passadas emergindo feito plantas do solo. A boca estava ácida, os olhos carregados, as mãos se disfarçando, os pés numa batida... Naquela tarde eu senti o calor dos pingos de chuva, tão finos, tão suaves. Eu descobri o tamanho das formigas que se abrigam no meu jardim e até, acreditem, o lado bonito dos sapos. Eram sensações que eu nunca havia me atentado em perceber antes, reles insignificâncias.
E estes super-poderes não vão me deixar nunca mais, porque já não sou mais um, sou dois em um.
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