sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Foi numa tarde de sol poente, deitada numa rede. O brilho do dia indo embora entrava pela janela, iluminava o livro que estava lendo. Um tempo agradável, sem vento, mas frio para meus padrões piromaníacos. Lá fora tinha verde e tinha cor de terra; tinha uma linda fotografia e sorrisos de criança. Foi naquele momento, naquele exato momento, que pude perceber o sentido das poucas cores e dos pecados, da ausência e do conforto, dos objetos e do que não nos pertence. Percebi que todas as pessoas são diferentemente iguais, cada emoção, as raivas: o ser humano que sente e que trai, que abraça e que vai embora, não sente saudades mas sente fome, que perde a esperança quando o mundo - ou mesmo as pessoas - resolvem lhe deixar no subsolo quente e molhado. As gerações mudam e ainda assim encontramos gêmeos, encontramos quem diga sim, quem vai embora e fica, quem ama e sabe perdoar, quem acredita na natureza e em si mesmo.

Um dia conheci um anjo. Não sei de sua vida, de suas cores, mas ele está a meu lado. E é esse mistério, talvez, que o torna meu amigo.

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