sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



Encontro-me e depois me perco. Vou me encontrar novamente no pára-brisas de um carro qualquer, transbordando numa chuva borrada. E pra sair da monotonia, experimentar uma vida liquidificada, às vezes eu corro. Simplesmente corro, apesar de girar na mesma órbita da largada. Por que correr é também ficar? Por que correr não é fugir? Correr é, pois, querer ver-se livre de todas as sutis e verossímeis possibilidades de estar - preso ou não, mas estar. E agora me vem a dúvida: se fico, se fujo ou se me entrego à polícia de vez. Não cometi crimes, apenas caí na catástrofe do amor. Este que vem, bate três vezes à porta e sai correndo.
*Foto: imagem do filme Run Lola Run (1998)


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