roda-gigante, passagens de vôo, pirulitos, fermento, vodka;
passei pela praça à meia madrugada de ontem, fiz o sinal da cruz dois quilômetros depois da igreja, sentei em dois ou três bancos, e no útlimo deitei. lá em cima provavelmente uma daquelas estrelas me vigiava há tempos. e quem será que num campo qualquer, a este horário mais dois, sentado ou em pé - mas sendo vigiado por essa mesma estrela, teria os mesmos pensamentos dúbios que os meus ? nunca fui de acreditar em destino, em romances e muito menos em branca de neve e os sete anões. só que naquele momento, deitada naquele banco gélido, veio uma vontade inconsequente se ter uma cabeça encostada na minha, os pés do outro lado ligando duas pontas sem fim - aquecendo...
alguém que não gostasse de maionese, coca-cola e cigarro;
me contrariasse quando estivesse certa só pra me testar;
puxasse o meu cabelo uma e o alisasse duas vezes, depois;
dissesse duas mentiras que, juntas, formavam uma só verdade;
pedisse um abraço quando o mundo lá fora está pedindo esmola, buzinando em sinais, xingando a mãe dos outros e a própria, e levando pra casa o dinheiro que não é seu;
estivesse a meu lado um dia todo e no outro simplesmente dissesse que estava a fim de dormir;
não pensa duas vezes pra pegar um ônibus, mas reflete tantas outras pra escolher a janela que tenha o melhor vento;
algu(e)m_c(r)apaz de não aceitar-se o bastante para se acomodar e de me repudiar o suficiente pra me enaltecer, porque a verdade dos dois irá aparecer limpa e transparente pela brechina da porta do quarto na hora em que água e gelo permitem-se apenas caminhar juntos.
quem sabe n'uma nova safra de estrelas eu consiga uma que me dê frutos azedinhos no final.
:: Escrito por .manu. em 13/06/2008, às 23h08 ::
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