sábado, 6 de junho de 2009

guerra das almas

De um tempo em que guerras eram poesias e vinhos lavavam os pés.

Doces absurdos que rimam com almas e transmitem ilhas, cacos de vidro e brasões de honra até o fim. É o que me resta - ou morro desgraçado no fim das brigas, ou vivo em arcos sem mira e canhões inutilizados. Ele fugiu dos gritos e choros de desespero, entrou em desespero e morreu em vão. Rogou ao inferno em busca de castigo. Dentro do seu corpo jazia um caixão cheio de dores e culpa, um caixão com orlas brilhantes e opacas.

Caminhou, caminhou, viu amigos mortos, viu o pôr do céu acordar mais cedo, viu crianças em pose de adultos, viu sangue de todas as cores, viu o perdão nos olhos dos pais e as súplicas dos filhos por um DeuS morto-vivo, viu a inocência das lágrimas, viu a cor da alma dos negros e o negro das almas sem cor, viu a raça humana e sua coragem, viu a submissão e a fraqueza, viu a putrefação de corpos-mestre e a supremacia de máquinas vivas; viu a loucura e a felicidade, a sanidade e a tortura.

E tudo isso por um tempo sem mais clichê.

:: Escrito por kary manu! em 04/10/2008, às 16h16 ::

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